jueves, 4 de diciembre de 2008

Brasil preparado contra a crise

Por: Nathália A. Terra Pereira
03/12/08 - 18h17
InfoMoney

A começar pelo aspecto macroeconômico. "Comparados com o restante do mundo, os países latino-americanos têm, em média, baixos níveis de dívida pública, posições fiscais razoavelmente robustas e bancos bem capitalizados. Isto põe a região em uma posição relativamente confortável para absorver as turbulências financeiras externas e manter um crescimento positivo", julga o Citi.

Na visão do banco, o Brasil "tem boas chances de crescer 2,5% ou mais". Um dos aspectos do País elogiados pelo Citi é a baixa relação que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro apresenta frente às exportações, fator este que mantém a economia relativamente blindada à menor demanda mundial.

Por sua vez, o atual momento é complexo e desafiador aos condutores de política monetária no continente - inclusive o Copom (Comitê de Política Monetária). De um lado, a desaceleração econômica pede um estímulo por meio de cortes nos juros. Mas de outro lado, a aversão ao risco pesa sobre os mercados cambiais da região, para não falar nas pressões inflacionárias com a alta do dólar.

No caso do Brasil, a expectativa do Citi é para mais algumas elevações na taxa Selic, que posteriormente deve assumir um ciclo de manutenções. E ao contrário de outros analistas, o banco vê o alto patamar do juro brasileiro comparado a outras taxas pelo mundo com bons olhos, uma vez que "dá margem a possíveis cortes se a deterioração econômica revelar-se mais profunda que o esperado".

Garimpando papéis atrativos
Não é só a economia brasileira que recebe leituras favoráveis por parte do Citi: o mercado do País também arranca elogios entre os analistas do banco, ainda que permeados pela cautela que, afinal, todo momento de crise exige. "Brasil é nosso mercado preferido na América Latina, uma vez que seus papéis possuem os menores patamares da região", afirma.

A visão positiva dos analistas para o mercado brasileiro, atrelada na idéia de que os ativos estejam excessivamente penalizados mesmo frente às turbulências do atual cenário, é reforçada pela elevada liquidez dos papéis e pelas perspectivas de uma retomada da flexibilização monetária no longo prazo, quando as commodities também devem reassumir sua trajetória de alta.

No entanto, atenção. "Investidores devem focar em ativos de qualidade, de empresas líderes em seus segmentos de atuação, com bom fluxo de caixa e managements que inspirem confiança em tempos tão turbulentos". Com tais prerrogativas em mente, o Citi destaca os papéis de CCR Rodovias, Cemig, Itaú, NET, Petrobras e Vale.

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