viernes, 28 de noviembre de 2008

Os Rumos da Economia Mundial e seu Impacto no Brasil

Paper Stephen Kanitz*

Todos estão assustados com esta atual crise e com os rumos da economia mundial. As especulações são muitas, assim como as previsões pessimistas e as comparações com outros momentos da história, como a recessão de 1929. Na contramão de análises apocalípticas. As coisas devem ser vistas com a verdadeira dimensão que elas assumem e, neste caso, isso significa dizer que o cenário real é muito menos caótico do que este que tem sido anunciado. Depende de nós mantermos a calma e não nos precipitarmos por medo ou ignorância.

Hoje, as principais fontes consultadas e os responsáveis por análises sobre a economia mundial são especialistas que não entendem nada de administração. Eles avaliam problemas, tecem previsões – e são muito bons no que fazem – mas não são capazes em prever as medidas corretivas que as próprias empresas hoje em dia são capazes de fazer. Não entendem as estruturas das empresas e, exatamente por isso, não acreditam que elas serão capazes de se adaptar ao atual cenário e resolver os problemas. E são pessimistas com relação ao que os
governos são capazes de fazer. Daí o pessimismo generalizado.

Informação contra o pânico
O pânico que se alastrou no mercado com a crise mundial levou muitos investidores assustados a liquidarem seus fundos, com declarações como a do diretor geral do FMI que o mundo iria derreter. Inúmeros foram os saques dos que desistiram do mercado de ações, protagonistas de uma corrida desenfreada para abandonar o barco, e que tomaram suas decisões baseados em alardes compartilhados pela mídia global.

O colapso financeiro evidencia também uma espécie de falência da imprensa, especialmente ao que se refere às mídias eletrônicas. A falta de tempo encurta e limita os processos da apuração e o resultado desta urgência são informações equivocadas e previsões errôneas, endossadas pela mídia como realidade. As notícias tornam-se, então, ruídos, fomentam o pânico generalizado e acabam por prejudicar a tomada de decisões importantes ao cotidiano
de todos.

A saída que a crise nos ensina para evitar esse caos informativo é a criação de blogs corporativos. Cada uma das grandes companhias brasileiras, e também mundiais, deve criar um espaço em que possa filtrar as informações que circulam pelo mercado e interpreta´-las segundo a visão de seus clientes e stakeholders. É preciso explicar o que está acontecendo, como e porque estamos vivendo este momento e, mais do que isso, é importante apresentar a
estes funcionários uma perspectiva da empresa para enfrentar e vencer a turbulência.

Nenhuma empresa saiu a público nem internamente, afirmando que não iria demitir funcionários nos próximos três meses, por exemplo, o que acalmaria fornecedores e funcionários.

Mesmo que tenhamos uma recessão, o desemprego aumentaria somente 2%, o que significa que 98% de seus funcionários poderiam continuar gastando e planejando normalmente. Mas como ninguém tem certeza quem serão estes 2%, 100% dos funcionários postergam gastos e planos de compra.

Um blog corporativo poderia por exemplo alertar os investidores apavorados, que naqueles preços as ações da empresa estavam com PL 3 ou menos, ou seja ridiculamente baratos.
Informações que nenhuma mídia eletrônica prontificou ou tinha conhecimento suficiente para alertar seus leitores.
Transparência é fundamental neste processo e certas medidas tornam-se importantes para manter a solidez, tais como:


- Não altere os valores da empresa. Reforce-os.
- Não centralize atividades. Envolva todos os interessados e distribua tarefas. A tendência de haver brigas corporativas em momentos de crise, é elevada e obviamente prejudicial.
- Seja fiel ao seu cliente e demonstre sua fidelidade a ele. Vocês estarão juntos nesta crise e não um tentando se aproveitar do outro.

É este o momento de manter o comando e demonstrar liderança para superar obstáculos.

Diagnóstico da crise
O colapso de um sistema financeiro, assim como a queda de um avião, não é resultado de uma única causa. Ele é produto de um conjunto de erros e enganos. No caso desta crise mundial não poderia ser diferente. Entre atropelos e alardes que fugiram ao controle, não houve um sistema de segurança eficaz para conter e reverter os processos que desencadearam a atual recessão.

Entre os motivos para a atual crise mundial está um dos maiores problemas enfrentados pelos norte-americanos: a falta de conhecimento sobre o sistema de correção monetária. A população dos EUA desconhece esta medida de reajuste fiscal, assim como os balanços dos bancos americanos não têm ajustes monetários. Tal política parece incompreensível e ainda deve perdurar por um longo período. Estimativas apontam que, somente entre 2008 e 2009,
os bancos nos EUA deixaram de emprestar US$ 2 trilhões, graças a um sistema que não contempla a correção monetária do seu patrimônio, algo que fazíamos no Brasil. Este erro induz a conclusão equivocada que bancos americanos estavam muito alavancados, quando na realidade seus patrimônios estavam defasados contabilmente. O Citi tem lucros reinvestidos de 1954, ainda a valores de 1954.

A causa primária do colapso financeiro, porém, está em outro lugar. Ela tem sua origem na política habitacional dos EUA. No país, o programa de incentivo à casa própria permite que os juros de aquisição dos imóveis sejam deduzidos do imposto de renda, em longínquas parcelas de hipotecas a perder de vista.
Tal política monetária é, na verdade, um sistema de incentivo ao endividamento e ao risco pessoal. É graças a este sistema de subsídio e a longos empréstimos para a realização do sonho da casa própria que estamos vivendo o caos financeiro.

A boa notícia, porém, é que somente em 2009, as expectativas são de que mais de 1,5 milhão de americanos se casem e busquem este mesmo incentivo fiscal para que consigam moradia, movendo a máquina econômica novamente.
Assim, as previsões para o próximo ano são muito mais favoráveis do que se imagina. Deverá haver um déficit habitacional americano de 1 milhão de casas em 2009, com juro real negativo e preços de imóveis 15 a 25% mais baratos, não por muito tempo.


Impactos no Brasil
Em meio a esta crise, uma coisa deve estar muito clara a todos: definitivamente, o Brasil não é os EUA, é melhor. O país apresenta inúmeras vantagens frente ao gigante norte-americano, sejam financeiras, geográficas ou sociais.
Para começar, o setor imobiliário é responsável por apenas 7% dos empréstimos feitos por bancos no Brasil. Nos EUA, este índice é de 40%. Não há subprime no Brasil, o país não está nem perto dessa realidade e, além disso, 50% de seus bancos já são estatais.


Outro indicador positivo está relacionado ao sistema de ensino privado no Brasil. Estimativas apontam que em 2010 o país contará com 25% mais profissionais recém-formados em administração, contra 18% de americanos, ou seja, o país será cada vez melhor administrado.
Além dessas vantagens, no Brasil, ao contrário do que ocorre na Europa ou no Japão, o crescimento da população economicamente ativa é uma realidade. Não há desastres naturais que assolem o país e ele ainda detém 20% da capacidade mundial de utilização do solo e realização de fotossíntese.

O Brasil goza da independência de petróleo e, diferente da Índia, já realizou sua urbanização. Esta é uma nação imperial, ou seja, cresce sempre no mercado interno, seja qual for a situação para além de suas fronteiras.
Por tudo isso, nós, brasileiros, estamos no país certo, no momento certo. Não temos crise e não vamos tê-la enquanto mantivermos nossa competência empresarial.
Um futuro de 40 anos fantásticos aguarda o Brasil. Para aproveitá-los, a receita é simples: é preciso manter a calma, assumir a liderança.

* Stephen Kanitz é consultor de empresas e conferencista, já realizou mais de 500 palestras nos últimos 10 anos no Brasil e no exterior. Mestre em Administração de Empresas pela Harvard University, foi professor Titular da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da
Universidade de São Paulo. Criador do Prêmio Bem Eficiente para entidades sem fins lucrativos e do site www.voluntarios.com.br. É árbitro da BOVESPA na Câmara de Arbitragem do Novo Mercado.

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